Novo Projeto de Lei para Revogar a Taxa das Blusinhas no Brasil: Um Alívio para Consumidores

taxa das blusinhas

A "taxa das blusinhas" é um imposto federal de 20% aplicado a importações de mercadorias com valor até US$50, introduzido como parte do programa Remessa Conforme da Receita Federal, lançado em agosto de 2023. Esse programa visa facilitar o comércio eletrônico internacional, oferecendo benefícios como isenção de impostos federais para empresas participantes em compras de até US$50, embora o ICMS estadual de 17% ainda seja cobrado. A taxa, no entanto, tem gerado críticas por encarecer produtos acessíveis, impactando especialmente consumidores de baixa renda que dependem de plataformas como Shein, AliExpress e Shopee para adquirir itens como roupas, acessórios e eletrônicos a preços competitivos.

A impopularidade da taxa, aliada à sua baixa eficácia arrecadatória — com uma receita 62% inferior às projeções —, motivou o deputado federal Ricardo Ayres a propor um projeto de lei para sua revogação. A iniciativa busca aliviar o ônus financeiro sobre os consumidores, combater a informalidade no comércio e alinhar o Brasil às práticas internacionais de isenção para importações de pequeno valor.

Detalhes do Projeto de Lei

O projeto de lei, protocolado em julho de 2025, foi apresentado por Ricardo Ayres, aliado do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. A proposta argumenta que a "taxa das blusinhas" foi um erro legislativo que trouxe mais prejuízos do que benefícios. Seus principais objetivos incluem:

  • Proteger consumidores de baixa renda: A taxa aumenta o custo de produtos importados, dificultando o acesso a bens essenciais para pessoas com menor poder aquisitivo.
  • Combater a informalidade: O encarecimento das importações formais pode incentivar compras por canais não regulados, que evitam impostos, prejudicando a arrecadação pública
  • Promover comércio justo: A taxa é vista como uma barreira ao comércio internacional, potencialmente afetando as relações comerciais do Brasil.
  • Alinhamento internacional: Muitos países isentam importações de pequeno valor de impostos federais, e a revogação da taxa colocaria o Brasil em linha com essas práticas.

Ayres destaca que a taxa gerou uma arrecadação significativamente abaixo do esperado, atingindo apenas 38% das projeções iniciais, o que reforça a necessidade de sua revogação.

Contexto Político e Apoio

A proposta de Ayres não é a primeira tentativa de eliminar a "taxa das blusinhas". Em semanas anteriores, o deputado Kim Kataguiri apresentou um Projeto de Decreto Legislativo com o mesmo objetivo, sinalizando que o tema está ganhando força no Congresso. Além disso, o governo federal tem sondado o centrão, um bloco político influente, sobre a possibilidade de apoiar a revogação, indicando um potencial respaldo oficial.

A proximidade de Ayres com Hugo Motta pode facilitar a tramitação do projeto, aumentando suas chances de ser votado. No entanto, ainda não há uma data definida para a votação, e o sucesso da proposta dependerá de negociações políticas e do equilíbrio entre interesses econômicos e sociais.

Impacto Econômico e Social da Taxa

Desde sua implementação, a "taxa das blusinhas" teve impactos significativos no comércio eletrônico internacional. Dados mostram uma queda de 40% no volume de importações, afetando consumidores que dependem de produtos internacionais para acesso a tecnologia, cultura e bens de consumo a preços mais baixos. Essa redução também gerou desafios logísticos para os Correios, que enfrentam problemas de fluxo postal devido à diminuição das encomendas.

Apesar disso, a arrecadação de impostos sobre importações aumentou, com R$ 700,5 milhões coletados entre agosto e dezembro de 2023, um crescimento de 122% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, a receita ficou 62% abaixo das projeções iniciais, levantando questionamentos sobre a eficácia da taxa. A tabela abaixo resume os impactos econômicos:

Aspecto

Impacto

Volume de importações

Redução de 40% desde a implementação da taxa.

Arrecadação (ago-dez 2023)

R$ 700,5 milhões, aumento de 122% em relação ao ano anterior.

Projeção de arrecadação

62% abaixo do esperado, indicando baixa eficácia da taxa.

Impacto nos Correios

Problemas de fluxo postal devido à queda no volume de encomendas.

A taxa também gerou críticas de consumidores e especialistas, que argumentam que ela prejudica desproporcionalmente os consumidores de baixa renda, que dependem de produtos importados para suprir necessidades básicas a custos mais acessíveis. Por outro lado, varejistas brasileiros defendem a manutenção da taxa, alegando que a isenção de impostos federais para importações de até US$50 cria uma concorrência desleal com produtos nacionais.

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O Programa Remessa Conforme

O programa Remessa Conforme, lançado em agosto de 2023, é um esforço da Receita Federal para regular o comércio eletrônico internacional. Empresas participantes, como Shein e AliExpress, se beneficiam de vantagens fiscais e aduaneiras, incluindo a cobrança de um imposto federal reduzido de 20% para importações de até US$50, em vez dos 60% aplicados a não participantes. Além disso, o programa padronizou o ICMS em 17% em todo o Brasil, simplificando a tributação estadual.

No entanto, a taxa de 20% ainda é considerada um obstáculo para consumidores, especialmente aqueles de baixa renda. A revogação proposta por Ayres eliminaria esse imposto federal, mas o ICMS continuaria a ser cobrado, mantendo algum nível de tributação sobre as importações.

Perspectivas e Desafios Futuros

O projeto de lei de Ayres tem potencial para avançar, especialmente com o apoio do centrão e do governo federal. No entanto, enfrenta desafios significativos. A continuidade do ICMS estadual, fixado em 17%, significa que os consumidores ainda enfrentarão custos tributários, mesmo com a revogação da taxa federal. Além disso, varejistas brasileiros têm se oposto à isenção de impostos federais, argumentando que isso prejudica a indústria nacional.

A discussão sobre a "taxa das blusinhas" também ocorre em um contexto de reforma tributária mais ampla. A partir de 2026, o Brasil planeja substituir impostos como ICMS, PIS, Cofins e ISS por dois novos tributos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), com alíquota de 8,8%, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), com alíquota de 17,7%. Essa reforma pode simplificar o sistema tributário, mas, até lá, os consumidores continuarão lidando com as complexidades do sistema atual.

Conclusão

O projeto de lei de Ricardo Ayres para revogar a "taxa das blusinhas" representa uma oportunidade para corrigir um imposto considerado injusto por muitos, aliviando o impacto financeiro sobre consumidores de baixa renda e estimulando o comércio internacional. No entanto, sua aprovação depende de negociações políticas e do equilíbrio entre interesses econômicos e sociais. Enquanto a revogação da taxa federal pode trazer benefícios imediatos, a continuidade do ICMS estadual e o contexto de reforma tributária sugerem que a questão da tributação de importações permanecerá em debate nos próximos anos.

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